Das comunidades indígenas que viviam na região, somente resta sua arte, testemunho de sua cultura.
Inscrições Rupestres
Os petroglifos, ou inscrições rupestres, podem ser considerados como o despertar da arte nas selvas e os primeiros ensaios artísticos do homem primitivo.
Os petroglifos encontram-se gravados na superfície da rocha, apresentando no máximo três milímetros de profundidade por trinta milímetros de largura; a superfície interna dos frisos entalhados na rocha geralmente é picoteada e áspera ao tato, mas pode ser também polida e lisa ao tato. Em certas áreas dos paredões os petroglifos são facilmente visíveis a certa distância e em outras áreas apenas fracamente delineados, sendo visíveis tão somente pelo olhar mais atento.
Entre os motivos de desenho mais freqüentes estão os círculos concêntricos; conjuntos de figuras ovódes ou triangulares cheias de quadriláteros irregulares e, finalmente, figuras estilizadas de homens e de animais; conjuntos de retas paralelas, outros de linhas onduladas paralelas, ou ainda de linhas quebradas ou zigue-zagueadas paralelas, semelhantes às decorações existentes nas grandes urnas funerárias de tradição guarani.
O grande número de petroglifos, formando belos conjuntos, em ilhas de difícil acesso e gravados com pedra em outra pedra duríssima, indica que os petroglifos possuam grande importância. Esta hipótese surge pela localização dos petroglifos, presentes nos paredões verticais de diabásio negro das praias atingidas duramente pelos vagalhões do oceano. Eram portanto, lugares que incutiam medo, respeito e pavor, levando a crer que os petroglifos possam ter significado mágico religioso, destinando-se a tornar propícia a caça e a pesca, dos quais o índio dependia para sua subsistência.

Inscrições Rupestres
Afastados das praias encontramos petroglifos apenas na Ilha João da Cunha. No topo, quase ao centro da ilha, à altitude de uns trinta metros e distante cerca de duzentos metros da praia, encontra-se uma grande laje de granito conhecida como “Pedra da Cruz”. A face que dá para o mar forma um plano fortemente inclinado, coberto de petroglifos cuja superfície interna dos entalhes é polida e lisa ao tato.
Os petroglifos formam dois grupos separados. O maior deles ocupa aproximadamente 4 metros quadrados de superfície (Fig. 1) e o segundo grupo (Fig. 2) de petroglifos possui cento e vinte centímetros de altura e oitenta de largura. Acima dele existe, como que outro oito, aberto na parte inferior, porém, de apenas vinte centímetros de altura e doze centímetros de largura.

Inscrições Rupestres
Este oito, por seu turno, está ladeado de outro motivo, bastante original, que lembra as asas de um avião, de cinqüenta centímetros de comprimento e vinte e cinco centímetros de largura, preenchidos por uma série de linhas curvas irregulares longitudinais.
Ponto obscuro e problemático é o significado e a interpretação dos petroglifos e certamente não constituem uma espécie de escrita ou alfabeto secreto e desconhecido, concepção de pessoas pouco instruídas que querem divisar nos petroglifos roteiros secretos de tesouros escondidos ou marcos de navios naufragados. Além do mais, esta interpretação acarreta um grande mal, porque conduz à destruição de muitos destes preciosos monumentos pré-históricos. Na Ilha de João da Cunha parte dos petroglifos foi destruída, à dinamite, por caçadores de tesouros.
Sambaquis
A palavra significa “amontoado (Tamba) de conchas (ki)”. São depósitos elevados, de forma arredondada, podendo alcançar 30m de altura. Encontram-se conchas, principalmente de berbigão (Anomalacardia brasiliana), carapaças de crustáceos, restos de mamíferos, aves e peixes, bem como pedras lascadas e semipolidas. Ocasionalmente algumas areas foram escolhidas como espaço para rituais funerários, sendo encontrados esqueletos e urnas de cerâmica.
Panelas de Bugre

Panelas de Bugre
Em rochas onde o basalto negro aflorou aparecem as conhecidas “panelas de bugre”, que são superfícies de forma circular de superfície lisa, onde os índios alisavam, afiavam e poliam seus utensílios de pedra e talvez também moíam sementes e raízes. Estas “panelas” ainda hoje podem ser observadas no litoral, e em Porto Belo elas se encontram em uma formação rochosa na Praia de Porto Belo.


